Sabe aquela sensação de entrar numa cidade e sentir que o tempo desacelerou? Foi exatamente isso que aconteceu comigo em Kyoto. Depois de passar pela agitação frenética de Tóquio, chegar na antiga capital japonesa foi como respirar fundo pela primeira vez em dias. As ruas parecem sussurrar histórias de séculos, os templos estão ali, quietos, esperando você descobrir seus segredos, e a comida… bem, a comida merece um parágrafo só pra ela.
Se você está planejando sua primeira viagem para o Japão ou já conhece o país mas ainda não visitou Kyoto, preciso te dizer uma coisa: essa cidade vai mexer com você de um jeito que poucos lugares conseguem. Não é só sobre tirar foto nos portões vermelhos do Fushimi Inari (embora isso seja imperdível). É sobre sentar num jardim zen e entender o silêncio. É sobre provar um matcha que te faz questionar tudo que você já chamou de matcha antes. É sobre caminhar por ruelas de pedra onde gueixas ainda trabalham de verdade.
Montei esse roteiro de 3 dias pensando em você que quer aproveitar ao máximo, mas sem aquela correria maluca que acaba com qualquer viagem. Aqui você vai encontrar templos históricos, mercados vibrantes, experiências culturais autênticas e, claro, muito (mas muito mesmo) boa comida. Pega seu caderninho porque as dicas começam agora.
Onde Fica Kyoto e Como Chegar
Antes de mais nada, vamos ao básico. Kyoto fica na região de Kansai, bem no coração do Japão. A cidade está estrategicamente localizada entre Osaka (uma hora de trem) e Tóquio (cerca de duas horas e meia pelo Shinkansen, o trem-bala). Isso significa que é super fácil incluir Kyoto em qualquer roteiro pelo Japão.

Você pode chegar pelos aeroportos internacionais de Osaka (Kansai e Itami) ou pelo aeroporto de Narita/Haneda em Tóquio. De ambos, o acesso é simples e bem sinalizado. O sistema de transporte público japonês é tão eficiente que assusta – nunca vi nada igual no Brasil.
Uma curiosidade que pouca gente sabe: Kyoto foi a capital do Japão por mais de mil anos, de 794 até 1868. Mesmo depois de perder o título para Tóquio, a cidade manteve sua importância como centro espiritual e cultural do país. É aqui que você encontra mais de 2.000 templos e santuários, 17 deles considerados Patrimônio Mundial da UNESCO.
Melhor Época Para Visitar Kyoto
Essa é uma pergunta que todo mundo faz, e a resposta honesta é: depende do que você busca. Kyoto é linda o ano inteiro, mas cada estação tem sua personalidade.
A primavera (março a maio) é quando as cerejeiras florescem – o famoso sakura que você vê em todas as fotos. É lindo demais, mas também é quando a cidade fica mais lotada e os preços sobem. Se quiser pegar essa época, reserve tudo com antecedência. Estou falando de meses antes, sério.
O outono (outubro e novembro) traz as folhas avermelhadas que transformam os templos em cenários de filme. As temperaturas são amenas, perfeitas para caminhar o dia todo. É minha estação favorita em Kyoto, junto com a primavera.
No verão (junho a agosto), prepare-se para calor e umidade – e quando digo umidade, é daquelas que gruda a roupa no corpo. Por outro lado, é época de festivais incríveis como o Gion Matsuri em julho, um dos maiores do Japão. Se não se importa com calor, vale a pena.
O inverno (dezembro a fevereiro) é frio, mas traz menos turistas e aquela atmosfera mais intimista nos templos. Imagina tomar um chá quente enquanto contempla um jardim coberto de neve. É mágico. E mais barato também.
Eu visitei no final de outubro e peguei aquele clima de transição, ainda quente de dia (19-26°C) mas começando a esfriar à noite. Perfeito para explorar sem passar calor nas caminhadas.
Dia 1: Mergulhando na Tradição de Gion e Higashiyama
Seu primeiro dia em Kyoto vai ser intenso – no bom sentido. Você vai conhecer o lado mais tradicional da cidade, aquele que parece ter congelado no tempo. Coloque um tênis confortável porque hoje você vai caminhar bastante.
Café da Manhã no Black Cat Coffee

Comece o dia no Black Cat Coffee, um lugarzinho minúsculo operado por um único barista japonês que leva o café a sério. É daqueles lugares que você passa direto se não souber que existe. O café é excepcional e você vai precisar dessa energia para o dia que vem pela frente. O atendimento é um show à parte – dá pra ver a dedicação em cada xícara preparada.
Yasaka Shrine: Seu Primeiro Santuário

Depois de cafeinado, caminhe até o Yasaka Shrine, um dos santuários xintoístas mais importantes de Kyoto. A entrada é gratuita e o lugar tem uma energia especial. Repare nos torii vermelhos vibrantes e nas lanternas que pendem por toda parte. Os locais vêm aqui para rezar por boa sorte, saúde e proteção contra energias negativas.
Uma dica: se você visitar em julho, vai pegar o Gion Matsuri, o festival mais famoso de Kyoto que acontece ao redor desse santuário. São procissões com carros alegóricos elaborados, danças tradicionais e uma atmosfera de celebração que toma conta da cidade inteira.
Explorando os Templos de Higashiyama
Logo atrás do Yasaka Shrine fica o Maruyama Park, um parque tranquilo perfeito para uma pausa. Se vier na primavera, vai encontrar aquele mar de cerejeiras em flor que todo mundo sonha em ver. Tem vários bancos espalhados – aproveite para sentar e só observar.

Dali, siga para o Kodaiji Temple (entrada: ¥600, só aceita dinheiro). Esse templo zen tem jardins paisagísticos que são uma obra de arte viva. Você vai caminhar por entre árvores perfeitamente podadas, lagos com carpas e, no final, descer por um bosque de bambus que já deixa você com gostinho do que vem pela frente em Arashiyama.

Bem pertinho dali está o Ryōzen Kannon Temple (¥300), guardado por uma estátua gigante de 24 metros da Deusa da Misericórdia. Quando você entra, recebe um incenso para oferecer diante da estátua. É um momento de reflexão interessante, mesmo se você não for religioso.
As Ruas Históricas: Nene-no-Michi e Sannenzaka
Saindo do Kodaiji, você vai se deparar com a Nene-no-Michi, uma rua de pedra ladeada por casas de madeira tradicionais. É uma das vistas mais fotogênicas de Kyoto. Lojas de artesanato, casas de chá e pequenos restaurantes ocupam essas construções centenárias.

Continue até as famosas ruas de Sannenzaka e Kiyomizu. Sim, vai estar cheio de turistas – não tem como escapar. Mas vale a pena pela atmosfera e pelas lojinhas. Aqui você encontra desde yatsuhashi (biscoitos de arroz com canela) até mochi de matcha fresquinho. Prove tudo!
Se quiser uma experiência completa, alugue um kimono por algumas horas (custa entre ¥4.000 e ¥6.000). Tem várias lojas oferecendo o serviço, algumas inclusive fazem o penteado tradicional. Ver as ruas históricas vestindo kimono é uma experiência única – e as fotos ficam incríveis.
Parada Para Matcha no Gokago
No meio da subida de Kiyomizu, você vai ver uma fila. É no Gokago, uma casa de chá moderna que virou sensação entre os jovens japoneses e turistas. O matcha latte deles é denso, cremoso e tem aquele amargor equilibrado que é a marca de um bom matcha. Peça também o warabi mochi – um docinho gelatinoso coberto com açúcar mascavo que derrete na boca.

A fila anda rápido, então não desanime. Vale cada minuto de espera.
Almoço: Wagyu Katsu de Verdade

Para o almoço, minha recomendação é o GYUKATSU. Eles servem katsu (empanado frito) de carne wagyu que é simplesmente divino. A carne vem mal passada por dentro – você finaliza o cozimento numa pedra quente na sua mesa. É uma experiência gastronômica e tanto.
Noite em Kiyamachi-dori

Depois de descansar um pouco no hotel, chegou a hora do jantar. Vá direto para o Chao Chao Gyoza, uma instituição em Kyoto. Esse restaurante é famoso pelos gyoza (pastéis fritos japoneses) crocantes e suculentos. A fila pode chegar a uma hora, mas é parte da experiência. Peça vários sabores diferentes e, se tiver coragem, experimente o gyoza de chocolate de sobremesa – sim, existe e é surpreendentemente bom.

Depois do jantar, caminhe pela Kiyamachi-dori, uma rua que margeia o rio Takase e ganha vida à noite. As lanternas se acendem, os izakayas (bares tradicionais) ficam cheios e a vibe é perfeita para fechar o primeiro dia. Se quiser tomar mais uma cerveja ou um sake, tem opção não falta.
Dia 2: Amanhecer no Fushimi Inari e Arte Digital
Hoje você vai precisar acordar cedo – e quando digo cedo, é cedo mesmo. Mas prometo que vale cada segundo de sono perdido.
Nascer do Sol no Fushimi Inari Taisha
O Fushimi Inari Taisha é provavelmente o lugar mais fotografado de Kyoto – aqueles milhares de torii vermelhos formando túneis montanha acima. Todo mundo quer a foto perfeita aqui, e o segredo é simples: chegue antes das 7h da manhã.

De Gion, o trajeto de trem leva uns 25 minutos. É super fácil. A entrada é gratuita e o santuário fica aberto 24 horas. Chegando cedo, você vai ter os túneis praticamente só para você. A luz da manhã entrando entre os portões cria um efeito mágico que nenhuma câmera consegue capturar direito – tem que ver pessoalmente.
A trilha completa até o topo e volta leva cerca de 2 horas. É uma caminhada, então leve água e use roupas confortáveis. Quanto mais você sobe, menos gente encontra. No topo, além da vista incrível sobre Kyoto, você consegue fotos sem ninguém no enquadramento. Se não quiser subir tudo, os primeiros 15-20 minutos já te dão aquela experiência dos túneis vermelhos que você vê nas fotos.
Cada torii foi doado por pessoas ou empresas em busca de bênçãos e prosperidade. Se reparar, tem o nome do doador escrito em cada um. É uma tradição que começou no século XVIII e continua até hoje – novos portões são adicionados constantemente.
Café da Manhã com Vista no Ohanabatake
Depois da caminhada, você vai estar com fome. Volte para Gion e procure o Ohanabatake, uma lanchonete pequena especializada em sanduíches de wagyu. Sim, é um pouco caro para um sanduíche (cerca de ¥1.500-2.000), mas a carne é absurdamente boa. Eles têm opções vegetarianas também para quem não come carne.

Pegue seu sanduíche e vá sentar em algum lugar às margens do rio. Ver a cidade acordar enquanto você come é uma delícia. É nesses momentos que você percebe o quanto Kyoto é diferente do resto do Japão.
TeamLab Kyoto: Arte Digital Imersiva
À tarde, prepare-se para algo completamente diferente. O TeamLab Kyoto é uma instalação de arte digital imersiva que abriu em outubro de 2024. Se você já ouviu falar do TeamLab Borderless em Tóquio, é do mesmo grupo – mas cada instalação é única.

É difícil descrever a experiência. Você entra num mundo de luz, cor e movimento onde as paredes, o chão e o teto se transformam em telas interativas. As instalações reagem à sua presença, criando uma obra de arte que muda constantemente. Tem salas com flores digitais que caem do teto, espelhos infinitos, projeções de água e muito mais.
Reserve pelo menos 2 horas para explorar. Eu fiquei mais que isso e não me arrependo. É hipnotizante.
Como chegar: Pegue o ônibus 205 do centro de Kyoto (tarifa fixa de ¥230 em dinheiro). Para voltar, use o ônibus 206 (mesma tarifa). Os ingressos custam ¥3.800 e é melhor comprar online com antecedência para garantir o horário que você quer. O site oficial aceita cartão de crédito internacional.
Mercado Nishiki: A Cozinha de Kyoto
Final de tarde é hora de ir ao Nishiki Market, carinhosamente chamado de “a cozinha de Kyoto”. Esse mercado coberto existe há mais de 400 anos e concentra o melhor da culinária local em mais de 100 lojas e barraquinhas.

É um corredor estreito onde você vai encontrar de tudo: peixes frescos, vegetais em conserva (tsukemono), doces tradicionais, facas de cozinha artesanais, chás, especiarias e muito mais. A melhor parte? Você pode ir provando enquanto caminha.
O que não deixar de provar:
- Mitarashi dango – bolinhas de arroz grelhadas no espeto com um molho adocicado de shoyu. É viciante.
- Tsukemono – os picles japoneses. Tem de rabanete, berinjela, pepino… cada um mais colorido e saboroso que o outro.
- Sorvete de matcha – cremoso, verde vibrante e com aquele amargor característico do chá verde em pó.
- Espetinhos grelhados – de lula, polvo, peixe, carne… tudo fresquinho e feito na hora.
- Tamagoyaki – omelete japonês levemente adocicado. Parece simples, mas é uma técnica que leva anos para dominar.
Dica importante: muitas barraquinhas só aceitam dinheiro, então vá preparado. E não tenha vergonha de apontar para o que você quer – os vendedores estão acostumados com turistas.
O mercado fica aberto até umas 17h-18h, então não deixe para ir muito tarde. Chegue com fome porque você vai querer provar tudo.
Opções Alternativas para a Tarde
Se o TeamLab não é sua praia (ou se você preferir mais templos), tenho duas sugestões:
Caminho do Filósofo (Philosopher’s Path): Uma trilha tranquila de 2km que acompanha um canal cercado por cerejeiras. O caminho conecta o Ginkaku-ji (Pavilhão de Prata) ao Nanzen-ji Temple. É perfeito para uma caminhada contemplativa no final da tarde. O nome vem de um filósofo japonês que costumava meditar enquanto caminhava por aqui.
Monte Daimonji: Para os mais aventureiros, essa trilha de 45 minutos te leva ao topo de uma montanha com vista panorâmica de Kyoto. O pôr do sol daqui é espetacular. A subida é um pouco puxada, mas nada impossível. Leve água e chegue com tempo para pegar a luz dourada.
Dia 3: Zen, Chá e Relaxamento
Seu último dia em Kyoto tem um ritmo mais contemplativo. Depois de dois dias intensos, chegou a hora de desacelerar e absorver a essência da cidade.
Jardim de Pedras do Ryōan-ji
Comece a manhã no Ryōan-ji Temple (¥500), lar do jardim zen mais famoso do mundo. São apenas 15 pedras arranjadas sobre cascalho branco rastrelhado, mas a composição é genial: não importa onde você se posicione, sempre enxerga apenas 14 pedras. A 15ª sempre fica escondida.

Essa característica não é acidental – ela representa a filosofia zen de que nenhuma perspectiva individual consegue apreender a totalidade da realidade. É preciso transcender o ego e os limites da percepção individual para ver o todo. Profundo, não?
Sente na varanda de madeira e apenas observe. Não precisa entender, só sentir. Leve seu caderno de desenho se gostar de arte – vi várias pessoas desenhando o jardim e parecia uma atividade muito relaxante.
O templo fica um pouco afastado do centro, então pegue um ônibus. A viagem leva cerca de 30-40 minutos dependendo de onde você estiver hospedado.
Kinkaku-ji: O Pavilhão Dourado (Opcional)
Se tiver tempo e energia, dê uma passada no Kinkaku-ji (¥500), o famoso Pavilhão Dourado. É literalmente coberto de folhas de ouro e reflete no lago ao redor criando uma cena cinematográfica. É um dos pontos turísticos mais visitados de Kyoto, então esteja preparado para multidões.

Mesmo com muita gente, vale a pena ver pessoalmente. As fotos não fazem justiça ao brilho do ouro sob a luz do sol. O templo foi reconstruído várias vezes ao longo da história – a versão atual é de 1955, depois que um monge em crise existencial ateou fogo no original em 1950. Essa história inclusive inspirou um romance do escritor Yukio Mishima.
Cerimônia do Chá Autêntica
Esta é, sem dúvida, uma das experiências mais memoráveis que você pode ter em Kyoto. Participar de uma cerimônia do chá tradicional é entender a alma japonesa.
A cerimônia que recomendo acontece numa casa tradicional de 100 anos, iluminada apenas por velas. A experiência dura cerca de 60 minutos e é conduzida por um mestre de chá que explica cada gesto, cada movimento. Você vai aprender sobre a preparação do matcha, sobre os utensílios usados (alguns com séculos de idade), sobre a filosofia por trás de cada ação.
O matcha servido vem das colinas de Uji, pertinho de Kyoto, considerada a melhor região produtora do Japão. O sabor é completamente diferente de qualquer matcha que você já provou. É denso, aromático, com aquele amargor equilibrado que te faz prestar atenção em cada gole.
A cerimônia não é sobre o chá em si, mas sobre estar presente. Sem celular, sem distrações, apenas você, o chá e o momento. É quase meditativo. Reserve pelo site oficial ou pelo GetYourGuide, que geralmente tem boas ofertas para experiências culturais em Kyoto.
Floresta de Bambu de Arashiyama (Opcional)
Se você ainda tiver gás e a cerimônia do chá for pela manhã, considere visitar a famosa Floresta de Bambu de Arashiyama. Caminhar entre bambus gigantes que se curvam sobre você é surreal. O som do vento balançando as hastes é considerado um dos “100 sons que devem ser preservados no Japão”.

O local fica perto de onde acontece a maioria das cerimônias do chá, então dá para encaixar. Vá cedo se quiser evitar as hordas de turistas que invadem o lugar depois das 10h.
Sinceramente? Eu pulei essa por falta de tempo e estava pronto para relaxar. Mas se você é daqueles que precisa ver tudo, vale o esforço.
Onsen Tenzan no Yu: O Gran Finale Perfeito
E chegamos ao final perfeito para seus três dias em Kyoto: o Tenzan no Yu, um onsen (casa de banho termal japonesa) que vai fazer você esquecer qualquer cansaço acumulado.
Para quem nunca foi a um onsen, funciona assim: você entra, paga na recepção, é separado por gênero (homens e mulheres têm áreas completamente separadas), tira toda a roupa e vai para os banhos. Sim, é pelado mesmo – não tem exceção. Pode ser estranho no começo se você não está acostumado, mas é super natural para os japoneses e você se acostuma rapidinho.
Antes de entrar nas piscinas, você precisa se lavar completamente numa área com chuveirinhos e banquinhos. Só depois pode mergulhar nas águas termais.
O Tenzan no Yu tem várias piscinas em diferentes temperaturas, desde as mornas até as que quase fervem. Tem piscinas internas e externas (as externas são as melhores), sauna seca, sauna a vapor e até banho de ofurô individual. Cada banho tem propriedades diferentes – alguns são bons para a pele, outros para circulação, outros para relaxamento muscular.
Passe pelo menos 2 horas ali. Alterne entre as piscinas, vá na sauna, descanse nas áreas de relaxamento. Tem até uma área onde você pode tirar um cochilo depois dos banhos. Saí de lá me sentindo uma pessoa nova, completamente revigorado.
É a forma perfeita de encerrar sua estadia em Kyoto. Relaxado, renovado e com aquela sensação boa de missão cumprida.
Informações Práticas Essenciais
Transporte em Kyoto
Kyoto tem um sistema de transporte público eficiente baseado principalmente em ônibus. A tarifa é fixa (¥230 por viagem) e você paga ao descer. Mantenha sempre moedas porque muitos ônibus não aceitam nota.
Se você vai usar bastante transporte público, considere comprar o Kyoto Bus Pass de um dia (¥700) ou o Kyoto Subway & Bus Pass (¥1.100). Compensa se você pegar mais de 3 ônibus no dia.
Aplicativos como o Google Maps funcionam perfeitamente para calcular rotas de ônibus e metrô. Outra opção é o app NAVITIME, que é mais específico para o Japão.
Dinheiro e Pagamentos
O Japão ainda é muito baseado em dinheiro. Cartão de crédito é aceito em hotéis e restaurantes maiores, mas muitos templos, lojas pequenas, mercados e até alguns restaurantes só aceitam cash. Sempre ande com pelo menos ¥10.000 em dinheiro (cerca de R$ 300).
Caixas eletrônicos 24h que aceitam cartões internacionais estão disponíveis em todas as lojas 7-Eleven e Family Mart (conveniências que estão em cada esquina).
Internet e Conectividade
Compre um chip de dados japonês ou alugue um pocket wifi assim que chegar no aeroporto. Você vai precisar de internet para usar mapas, traduzir cardápios e manter contato. A cobertura no Japão é excelente.
Chips pré-pagos custam entre ¥2.000-3.000 para 7-10 dias com dados ilimitados. Compensa muito mais que usar roaming internacional.
Idioma
Poucos japoneses falam inglês fluentemente em Kyoto, especialmente os mais velhos. Mas não se preocupe – as pessoas são extremamente solícitas e vão fazer de tudo para te ajudar. Tenha o Google Tradutor baixado (com o pacote offline de japonês) e aprenda algumas frases básicas:
- Arigatou gozaimasu – Muito obrigado
- Sumimasen – Com licença/desculpe
- Konnichiwa – Olá (durante o dia)
- Oishii – Delicioso (use bastante isso!)
- Ikura desu ka? – Quanto custa?
Apontar para o que você quer em restaurantes funciona perfeitamente. Muitos lugares têm modelos de comida em plástico na vitrine (os sampuru), facilitando muito a vida.
Onde Ficar em Kyoto
Recomendo se hospedar na região de Gion ou Higashiyama. É central, com fácil acesso aos principais pontos turísticos e mergulhado na atmosfera tradicional da cidade. Os preços variam bastante:
- Hostels: ¥2.500-4.000 por noite em dormitório
- Hotéis econômicos: ¥6.000-10.000 por noite
- Hotéis médios: ¥12.000-20.000 por noite
- Ryokans tradicionais: ¥25.000+ por noite (mas vale a experiência!)
Reserve com antecedência, especialmente se vier na alta temporada (primavera e outono). Sites como Booking.com e Agoda têm boas ofertas.
Seguro Viagem
Não viaje para o Japão sem seguro. O sistema de saúde japonês é excelente, mas caríssimo para estrangeiros. Uma consulta médica simples pode custar facilmente ¥20.000-30.000. Um seguro viagem custa uma fração disso e te dá paz de espírito.
Compare preços em sites como Seguros Promo ou World Nomads. Procure coberturas de pelo menos USD 50.000 em despesas médicas.
Etiqueta e Costumes Locais
Os japoneses são extremamente educados e seguem um código social rígido. Algumas regras básicas que você deve seguir:
- Tire os sapatos: Ao entrar em templos, casas, alguns restaurantes e hotéis tradicionais. Sempre há uma área onde deixar os sapatos.
- Não fale ao telefone em transporte público: É considerado extremamente rude. Coloque no silencioso.
- Não coma andando na rua: Se comprar comida, coma ali mesmo ou procure um lugar para sentar. Andar comendo é visto como falta de educação.
- Faça fila: Os japoneses são mestres em fazer fila. Nunca fure a fila.
- Não deixe gorjeta: Gorjeta é ofensiva no Japão. O serviço já está incluído no preço.
- Use as duas mãos ao dar/receber: Cartões de visita, pagamentos, presentes – sempre use as duas mãos. É sinal de respeito.
- Separe o lixo corretamente: Reciclagem é levada muito a sério. Preste atenção nas lixeiras separadas.
Vale a Pena Estender a Estadia?
Três dias em Kyoto te dão uma boa visão geral da cidade, mas sinceramente? Kyoto merece mais tempo. Se você puder estender para 4-5 dias, vai conseguir visitar lugares como:
- Uji: Cidade vizinha famosa pelo melhor matcha do Japão. Tem o templo Byodoin, que está nas moedas de ¥10.
- Nara: A uma hora de trem, conhecida pelos cervos sagrados que caminham livremente pela cidade.
- Osaka: A 30-40 minutos, perfeita para um day trip focado em comida de rua e vida noturna.
- Templos do norte de Kyoto: Como o Kifune Shrine e Kurama Temple, menos visitados mas igualmente bonitos.
Kyoto é daquelas cidades que quanto mais você fica, mais descobre camadas escondidas. Cada bairro tem sua personalidade, cada templo sua história única.
Minha Reflexão Final
Olha, Kyoto não é só mais um destino turístico. É uma cidade que te convida a desacelerar num mundo que não para nunca. É sobre contemplação, sobre apreciar os detalhes, sobre entender que beleza e simplicidade podem andar juntas.
Depois de anos viajando pelo mundo, posso dizer que poucos lugares mexeram comigo como Kyoto. Não é o tipo de cidade que te impressiona com arranha-céus ou atrações grandiosas. É sutil. É sobre um jardim zen perfeitamente rastrelhado. É sobre uma cerimônia do chá que dura uma hora mas parece ter resumido séculos de filosofia. É sobre provar um mochi e entender por que os mestres passam décadas aperfeiçoando uma única receita.
Se eu pudesse dar um conselho, seria este: não tente ver tudo. Escolha algumas experiências e mergulhe nelas de verdade. Sente nos jardins. Observe. Respire. Deixe a cidade te mostrar seus segredos no seu próprio ritmo.
Kyoto vai te ensinar que viajar não é sobre marcar pontos turísticos numa lista. É sobre estar presente. É sobre absorver. É sobre voltar para casa diferente de quando você partiu.
Boa viagem. E quando estiver sentado num jardim zen contemplando pedras que estão ali há séculos, lembre-se: você não está só visitando Kyoto. Você está fazendo parte da história dela, mesmo que por apenas alguns dias.
Perguntas Frequentes Sobre Kyoto
Quanto custa uma viagem de 3 dias em Kyoto?
Depende muito do seu estilo de viagem, mas vou te dar uma base realista. Hospedagem em hotel econômico sai por uns ¥8.000-10.000 por noite (cerca de R$ 250-300). Comida pode variar entre ¥2.000-5.000 por dia se você misturar restaurantes baratos com algumas refeições melhores. Entradas em templos somam uns ¥2.000-3.000 no total. Transporte talvez ¥1.500 por dia. No geral, um viajante econômico gasta em torno de ¥15.000-20.000 por dia (R$ 450-600), enquanto alguém com mais conforto pode gastar ¥30.000-40.000 por dia (R$ 900-1.200). Claro que dá pra fazer mais barato ficando em hostel e comendo em conveniências, ou gastar muito mais se quiser luxo.
Três dias é suficiente para conhecer Kyoto?
É suficiente para ter uma excelente primeira impressão e ver os principais pontos, mas Kyoto tem mais de 2.000 templos e santuários – você definitivamente não vai ver tudo. Três dias permitem visitar os destaques como Fushimi Inari, os templos de Higashiyama, o Ryoan-ji e ter algumas experiências culturais como a cerimônia do chá. Se você tiver 4-5 dias, melhor ainda, pois dá pra fazer day trips para Nara ou Osaka e explorar bairros menos turísticos. Mas se você tem só 3 dias, dá pra aproveitar muito bem seguindo um roteiro bem planejado como este.
Qual a melhor forma de se locomover em Kyoto?
Ônibus, sem dúvida. O sistema de ônibus em Kyoto é extenso e cobre praticamente todos os pontos turísticos. A tarifa é fixa (¥230) independente da distância, o que simplifica bastante. Se você vai usar muito transporte público, compre o passe diário de ônibus (¥700) que já compensa a partir de três viagens. O metrô também é bom, mas tem apenas duas linhas e não atinge tantos lugares quanto os ônibus. Para distâncias curtas na região de Gion/Higashiyama, caminhar é a melhor opção – muitos templos e atrações ficam próximos uns dos outros. Táxi é caro, mas útil se você estiver cansado ou com pressa.
Preciso saber japonês para visitar Kyoto?
Não, mas vai facilitar bastante sua vida se souber pelo menos o básico. As principais estações de trem e ônibus têm sinalização em inglês, e muitos restaurantes turísticos têm cardápios com fotos ou em inglês. O grande desafio é que muitos japoneses, especialmente os mais velhos, não falam inglês. Mas calma, porque os japoneses são extremamente solícitos e vão fazer de tudo para te ajudar, usando gestos, desenhando mapas, o que for preciso. Baixe o Google Tradutor com o pacote offline de japonês (essencial!) e aprenda frases básicas como “arigatou” (obrigado), “sumimasen” (com licença) e “ikura desu ka?” (quanto custa?). Com isso e muita simpatia, você consegue se virar tranquilamente.
Posso usar cartão de crédito em todos os lugares de Kyoto?
Não, e esse é um ponto importante que pega muita gente desprevenida. O Japão ainda é muito baseado em dinheiro vivo. Hotéis grandes, restaurantes mais estruturados e lojas de departamento aceitam cartão sem problema. Mas templos, mercados, lojinhas pequenas, alguns restaurantes tradicionais e até táxis muitas vezes só aceitam dinheiro. Sempre ande com pelo menos ¥10.000 em cash (cerca de R$ 300). A boa notícia é que sacar dinheiro é fácil – todas as conveniências 7-Eleven e Family Mart têm caixas eletrônicos que aceitam cartões internacionais e funcionam 24 horas. Os caixas dos correios (Japan Post) também aceitam cartões internacionais e geralmente têm taxas melhores.








